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19/08/2026, 12:00

Tenso: Mais da metade dos trabalhadores do país não consegue quitar as despesas do mês

Levantamento da Serasa Experian revela pressão persistente na renda das famílias, gerando dependência de recursos extras, forte impacto nos custos com alimentação e prejuízos diretos à saúde mental e física dos profissionais.
Tenso: Mais da metade dos trabalhadores do país não consegue quitar as despesas do mês
Foto: Divulgação / Gonews
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A renda mensal da maioria dos profissionais brasileiros continua insuficiente para cobrir os custos fundamentais de vida. Um levantamento da Serasa Experian aponta que 53% dos trabalhadores chegam ao encerramento do mês sem saldo suficiente para liquidar suas contas, patamar que demonstra estabilidade em relação aos 54% registrados no ano anterior. Para não ficar no vermelho, 47% dos pesquisados precisam recorrer a alternativas orçamentárias extras, enquanto uma parcela de 6% encerra o período sem recursos e sem ter a quem recorrer. Os dados foram obtidos via internet com 1.008 profissionais dos setores público e privado — sob regimes CLT e PJ —, apresentando margem de erro de 3,1 pontos percentuais.

O encarecimento de itens vitais é o principal fator de sufocamento do orçamento doméstico entre aqueles que não fecham a conta no azul. A compra de alimentos lidera como a despesa mais pesada, citada por 78% dos afetados, acompanhada de perto pelas contas básicas de água, luz e gás, mencionadas por 72%. O fardo financeiro estende-se ainda para parcelas de financiamentos imobiliários ou automotivos (44%), vestuário e itens de consumo (43%), pagamento de empréstimos (33%) e gastos com educação (22%), em uma consulta na qual os entrevistados podiam assinalar até três categorias de despesas.

As repercussões de anos sob desequilíbrio financeiro ultrapassam o campo econômico e afetam diretamente a saúde global do indivíduo. No âmbito pessoal, sintomas como irritabilidade e insônia atingem 44% das pessoas com histórico de endividamento nos últimos cinco anos, além de quadros registrados de depressão, isolamento social, dores físicas e variações acentuadas de peso. No ambiente corporativo, os reflexos são igualmente nítidos: mais da metade (51%) relata altos níveis de estresse, 46% vivenciam esgotamento físico ou exaustão extrema, 35% notam perda de foco e 33% confirmam queda na produtividade diária.

A manutenção desses índices sinaliza que a fragilidade orçamentária deixou de ser um evento temporário para se tornar um problema estrutural. De acordo com o CEO da SalaryFits (empresa da Serasa Experian), Délber Lage, a ausência de uma margem financeira segura força o trabalhador a buscar constantemente novas fontes de renda ou crédito para sustentar custos básicos do cotidiano. Diante de uma pressão contínua sobre o orçamento das famílias, especialistas da instituição ressaltam que o fortalecimento de iniciativas de educação financeira é um passo crucial para mitigar os danos ao bem-estar e restaurar o equilíbrio do trabalhador. (Da redação GON/Edição: Júlio César)

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