Em meio ao recente desgaste institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), apenas o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, participou da tribuna de honra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o desfile de 7 de Setembro, em Brasília. A presença de ministros do Supremo no espaço reservado ao chefe do Executivo costuma fazer parte da cerimônia, mas, neste ano, a maioria optou por não comparecer. A ausência ocorre poucos dias após a exposição pública de divergências entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes.
A crise ganhou força depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mais de 50 mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo os documentos mencionados no caso, as conversas indicariam que o empresário teria procurado o ministro em busca de orientações diante de investigações. Em seguida, Moraes pediu que Mendonça fosse investigado, sustentando, com base em relatórios da PF, possíveis irregularidades relacionadas à condução de apurações envolvendo o Banco Master e o INSS. A situação está sob análise de Fachin, que deverá avaliar os pedidos e decidir se serão encaminhados ao plenário do STF.
O presidente Lula, por sua vez, tem procurado manter distância da disputa entre os ministros. Em manifestação recente, sem citar diretamente Moraes, o presidente defendeu que eventuais irregularidades sejam investigadas e cobrou providências da Procuradoria-Geral da República e do próprio Supremo em relação ao caso Banco Master. A ausência de integrantes da Corte na tribuna presidencial, porém, não é inédita: situação semelhante ocorreu no desfile de 7 de Setembro de 2025, quando o STF também estava sob forte pressão política em razão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de aliados por acusações relacionadas à tentativa de golpe de Estado. (Da redação GON/Edição: Júlio César)