Pular para o conteúdo
05/10/2026, 17:38

Eleições 2026 registram abstenção recorde 33 milhões não vão às urnas e supera marca de 2022

Mais de 33,4 milhões de brasileiros não compareceram às urnas; dados da Justiça Eleitoral também mostram aumento dos votos inválidos e redução do engajamento nas campanhas.
Eleições 2026 registram abstenção recorde 33 milhões não vão às urnas e supera marca de 2022
Foto: Divulgação / Gonews
Versão em áudio
0:00 / 0:00

O primeiro turno das eleições deste ano registrou 21,08% de abstenção, o maior percentual já contabilizado nessa etapa de uma eleição presidencial. Segundo dados da Justiça Eleitoral, apurados em 99,9% das urnas, aproximadamente 33,4 milhões de eleitores deixaram de votar. Em 2022, o índice havia sido de 20,79%, correspondente a 32,7 milhões de ausentes. Já os votos inválidos — soma de brancos e nulos — representaram 4,77% dos votos para presidente, sendo 2,93% nulos e 1,84% brancos. Há quatro anos, esse percentual foi de 4,25%, com 2,82% de nulos e 1,43% de brancos. A taxa de abstenção apresenta crescimento desde 2006, acumulando alta de 4,2 pontos percentuais no período.

Entre os estados, Mato Grosso do Sul (23,87%), Rio de Janeiro (23,32%), Minas Gerais (22,79%) e São Paulo (22,54%) apresentaram os maiores índices de ausência. Nesses locais, o senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu mais votos que o presidente Lula. As menores taxas foram registradas no Ceará (15,52%), Roraima (17,12%), Piauí (17,16%) e Sergipe (17,30%); com exceção de Roraima, os demais estados deram vitória a Lula. Dados referentes a 2022 apontam que os eleitores que mais deixaram de votar eram, em sua maioria, homens, pessoas com menor escolaridade e integrantes das faixas de 21 a 29 anos e acima de 70 anos — grupo em que o voto não é obrigatório. Naquele ano, a abstenção entre analfabetos chegou a 52% no primeiro turno e 49,3% no segundo, enquanto entre eleitores com ensino superior completo ficou em 12,4%.

Especialistas relacionam o cenário a um conjunto de fatores, incluindo o menor engajamento das campanhas desde a redemocratização, a ausência de debates entre os principais candidatos e o baixo nível de interesse apontado por pesquisas. Também são citadas dificuldades de acesso aos locais de votação, especialmente na região amazônica e em pequenas cidades, além de cadastros eleitorais desatualizados e uma possível “ressaca” provocada pelas disputas anteriores. O voto é obrigatório para brasileiros alfabetizados entre 18 e 70 anos, e a ausência pode ser justificada pelo aplicativo e-Título sem apresentação de documento comprobatório; caso a justificativa não seja feita no prazo, a multa é de R$ 3,51 por turno, e o título pode ser cancelado após três ausências consecutivas.

Em 2025, cerca de 5 milhões de títulos foram cancelados após faltas nos três últimos pleitos. Paralelamente, os votos brancos e nulos vêm perdendo participação: somaram 8,79% em 2018 e 10,39% em 2002. Para especialistas, essa tendência pode indicar que parte do eleitorado tem optado por não comparecer às urnas em vez de registrar um voto inválido. (Da redação GON/Edição: Júlio César)

Publicidade Publicidade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *